“Essa sociedade tá tudo errado” 3º capítulo – As Máscaras que Usamos

Yo galera! Aqui estou eu de novo, tentando aos poucos trazer minha visão da sociedade e tudo que tá errado nela. E o post de hoje pra variar é algo que veio de profundas conversas que tive com ilustres conhecidos meus, algumas regadas à álccol, mas nem todas. Mas comecei a pensar sobre isso quando percebi que estava usando muito a expressão “é agora que a sua máscara caiu”. Sim, todos usamos máscaras e uma hora ou outra a nossa máscara vai cair, mas é uma coisa ruim usar uma máscara?

Alguém me Segure!

Ok, começando com um pequeno disclaimer, eu tento ao máximo manter meus posts em uma zona livre de hipocrisia, então nem vamos começar ok? Todos usamos máscaras sim, muitas pessoas inclusive, tem mais de uma máscara. Obviamente que quando digo máscara digo um tipo de comportamento, vocês pegaram a metáfora né? Usar uma máscara não é só normal, como também é algo necessário. Nós vivemos em sociedade e infelizmente precisamos aprender a conviver com as pessoas à nossa volta, por isso precisamos de diferentes comportamentos em diferentes situações ou círculos sociais. A verdade é que a sociedade pede de nós que sejamos pessoas diferentes às vezes.

“Mas se temos máscaras, quer dizer que não temos personalidade, só um monte de comportamentos?”

Calmaí colega, também não é assim. Todos temos nossos padrões de comportamento, mas nós somos pessoas que, assim como cebolas, pavês e ogros, temos camadas. Geralmente essas camadas são definidas pelo nosso conforto social do momento, se estamos mais à vontade somos mais “nós mesmos” e se estamos menos confortáveis somos mais “genéricos”, usamos menos da nossa personalidade para sermos mais aceitáveis socialmente. Eu automaticamente assumo (por experiência de vida) que todo mundo tem sim, seu lado reprimido pela sociedade, porque nós crescemos com as apostilas de “o que podemos e não fazer”, “como as coisas devem ser” e “o que esperamos de você”. E essas apostilas são sim um pouco necessárias para existirem menos assassinos em série, mas elas estão precisando urgentemente de umas erratas ou quem sabe uma nova edição.

Porque começamos a usar máscaras em primeiro lugar? Bem, nós temos um grande defeito de fábrica que é essa necessidade de aceitação, que faz com que as opiniões das outras pessoas sejam importantes para nós. E é daí que vem nossa primeira máscara, a máscara da moral. Não estou falando que todos somos totalmente imorais e só não nos tornamos psicopatas porque somos reprimidos (o Joker diria isso), mas que desde cedo começamos a deixar a opinião alheia (a sociedade) nos moldar, e aprendendo a ser boas pessoas ganhamos nossa primeira máscara.

 Depois de um tempo (geralmente na adolescência, mas varia muito de pessoa pra pessoa) começamos a formar uma personalidade própria, mas ao mesmo tempo continuamos a ser influenciados, mas dessa vez não só pela sociedade como um todo, mas por uma parte dela. Somos jogados nos braços dos grupos sociais, e influenciados a escolher algum lugar para nos encaixarmos. Geralmente é aí que ganhamos nossa segunda máscara: estilos de música, esportes (ou a falta deles), hobbies, etnia, tudo isso vai jogando a gente em algum grupo social. O grande problema é que a força dos grupos sociais é tão grande que muitas pessoas se perdem aí e param de desenvolver personalidade própria, e se tornam um avatar. “O gótico da classe”, “a skatista da escola” ou “o japonês da galera” são títulos que vocês já devem ter ouvido ou até mesmo usado. Se encaixar em um grupo social te dá um certo padrão de comportamento, que você pode já ter ou que aprende a ter com o tempo e a influência. O problema é quando não se consegue fugir do estereótipo. Por que um nerd não pode gostar de jogar basquete? Ou um karateca gostar de musicais da broadway? As pessoas que não conseguem fugir dessa influência acabam perdendo a “essência” por trás da máscara. E quando essa máscara cai você vê que não tem nada por trás. Eu pessoalmente me divirto tentando derrubar as máscaras das pessoas, e é bom de se ver quando tem algo por trás delas.

Todo mundo tem máscaras, a diferença é que algumas pessoas tem algo por trás dessa máscara, outras não, tem só a máscara. As pessoas que realmente têm algo por trás da máscara são as pessoas que conseguiram manter a sua “essência” mesmo após passar pelo processo de estereotipação (onde te enfiaram um estereótipo goela a baixo, o que provavelmente aconteceu na adolescência), e essas pessoas são as pessoa que eu costumo dizer que realmente têm personalidade própria. As pessoas que se tornam um “avatar” de um grupo social são pessoas que não tem personalidade o bastante pra ser algo a mais que isso, acabam abraçando o estereótipo e assumindo ele. Não vou falar que são pessoas piores que as outras, muitas vezes são pessoas agradáveis de se ter por perto (tipo o estereótipo de gordinho engraçado). Mas o problema é que, quando se conhece melhor essa pessoa (ou, quando a máscara cai), não tem muito mais coisa lá. Essas pessoas passaram tanto tempo construindo suas máscaras que não se dedicaram ao que tem por trás delas.

Lição de casa pra todo mundo: Identifiquem suas máscaras, percebam quais delas precisam de uma remodelada e tentem sentir se não tem alguma parte dentro de você que foi reprimida pelas máscaras, de repente pode ser sua essência que está guardada lá ainda, querendo sair. É isso galera, vivam e aprendam. I’m outta here.

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“Essa sociedade tá tudo errado” by Vitor Hiroyuki Ferreira Yamana is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.

About Yamana

Diagramador de livros de RPG, karateca, baixista, dançarino de street dance e jazz, hamburguéfilo e estudante das falhas na nossa sociedade.