Não importa os meios usados para se transmitir uma mensagem, no final das contas a mensagem em si é o que importa para quem a assimila.
Este texto não está aqui para criticar o filme O Cavaleiro das Trevas Ressurge (usando a sigla original TDKR), dizer se ele é bom ou não, se este ou aquele ator está bem, se os efeitos especiais foram bem usados. Afinal de contas, eu não seria prepotente ao ponto de dizer que manjo TUDO de filmes para dizer se algo está certo ou não. Falo mais sobre minha opinião sobre os críticos lá no final. O que pretendo dizer é que o terceiro filme sobre o Batman contém uma MENSAGEM, profunda e cabível, direcionada a você, eu e todo o mundo.
Esse texto é minha tentativa em ler a verdadeira CRÍTICA que estava esperando ler na net desde que o filme foi divulgado para a imprensa, para restaurar a MINHA esperança de que um filme poderia ser visto sem ser pesado, e sim ENTENDIDO. Ledo engano, mas já contava com isso: por aqui o que importa são os “pageviews”. Se eu falar mal de um filme muitos vão aparecer aqui para discordar e eu ganho mais cliques no mouse e vou dominar o mundo MWAHAHAHAHAHA.
POR FAVOR, ENTENDA que a história do Cavaleiro das Trevas não é uma história colorida e cheia de vida, poucas são as pessoas que saem do cinema depois de ver TDKR pulando como o fizeram na saída de Os Vingadores. E a ideia não era essa e comparar os dois filmes seria injusto porque um foi feito para maravilhar e o outro para PENSAR. A vibração que se sente em um filme como Os Vingadores é algo de fã: um sonho realizado. No TDKR, a ideia é ter seu sonho destruído, mastigado, regurgitado em algo que não se consegue conceber e perceber, no final que… bem, nada de SPOILERS.
A figura do Batman criada por Nolan é um símbolo, um arquétipo ausente na sociedade de Gotham que representa a Esperança. Não a esperança de um mundo melhor, onde todos podem dar as mãos e cantar Ciranda Cirandinha. Mas um mundo onde existe uma CHANCE de ser consertado, por pior que a situação possa parecer. E esse mundo só é possível quando uma boa pessoa decide fazer algo a respeito. É como diz a velha frase de Edmund Burke sobre o Triunfo do Mal: basta os homens bons não fazerem nada.
No cenário dos filmes, o mal engloba tudo que existe de corrupto em uma sociedade quase no fundo do poço. É fácil dizer que Bruce Wayne fez o que fez porque tinha dinheiro. É fácil dizer que ele é o Batman porque consegue arcar com as despesas de seu arsenal. Mas isso é entender somente uma parte da mensagem de sua existência. Quem faz o que faz porque pode pagar é Tony Stark e mesmo assim ele tem seus motivos. Bruce Wayne fez o que fez porque ENTENDEU como o mundo funciona. Existe a democracia, onde todos podem opinar e decidir fazer algo ou nada e existe a democracia onde nada é feito por causa da inação. E quando isso acontece nem justiça nem direitos iguais dão resultado. É ai que deve entrar em ação a figura do vigilante. Ele é o impulso que você precisa para tomar vergonha na cara e fazer alguma coisa. Ele é alguém que PODE fazer algo a esse respeito. Vimos isso no segundo filme, quando ele assume a culpa pelos erros de Harvey Dent. “Ele aguenta”, disse Gordon.
E aí entra uma parte da mensagem. Uma situação construída com base em uma mentira tende a escalar e se tornar algo volátil, até explodir pelos ares levando toda a situação feliz com ela. Assim foi com todo o problema ligado a Harvey Dent.
Mas isso não é tudo.
Na criação de um mito, um símbolo é necessário para que esse mito perdure por gerações. Mas, com o símbolo estabelecido, como se destrói esse mito?
Não é nada simples, mas isso acontece todos os dias nas vidas de muitas pessoas. Quando se é pequeno a mais tênue das luzes pode afastar o medo do escuro, do desconhecido. Quando se é adulto, percebe-se que a luz não vai afastar o medo de algo que está dentro de nós. Pronto, nosso símbolo de segurança, nosso patamar de proteção ruiu. E nada externo poderá ajudar.
Assim é com o morcego. Para quebrá-lo é preciso que ele seja quebrado por dentro. Que sua esperança seja transformada em algo além de seu alcance. Algo avistável, desejável, mas que sua alma não mais encontre. Aí temos a segunda parte da mensagem, a parte que diz que o resultado obtido pela mentira será revelado, destruído e essa mentira usada contra os criadores, como um monstro de Frankenstein que volta para acertar as contas com o criador. O próprio Bane chama a si mesmo de “Acerto de Contas de Gotham”. Sua figura é, ao mesmo tempo, a do acusador e juiz e a sentença já foi dada.
Bane foi uma criatura amargurada, forjada na própria escuridão. Batman apenas aceitou a escuridão como uma ferramenta. Ele jamais passou por tudo que Bane passou para ser quem é. E isso é uma falha. Para se entender a verdadeira noção do medo e da dor, é preciso passar por ela e senti-lo. Do contrário não seremos dignos de combatê-los e triunfar no final. Eis mais uma parte da mensagem. Até que essa foi fácil.
A parte final da mensagem do filme acontece praticamente por acaso, com o desenrolar do filme. Onde havia escuridão, há que prevalecer a luz. Chame-a do que você quiser: razão, verdade, justiça, Deus. Não importa. O que existe é o equilíbrio das forças. E em um mundo onde existe um “mal necessário” deve existir um “bem imprescindível”. O embate final entre Batman e Bane acontece em meio a um evento significativo: o momento em que a própria sociedade decide em tomar as rédeas de suas vidas e afastar o medo e a dor. E isso aconteceu com o retorno do “símbolo”, que, no caso de Gotham City, é o… o… o… Isso mesmo.
O final do filme “acontece porque deveria acontecer e não poderia ter acontecido de forma diferente”. Criticar essa parte porque “não gostou”, “não foi bom”, ou até mesmo “forçado demais” é ser mais superficial que uma colherinha de chá, meus amigos. Vocês piscaram e perderam o finalzinho da tal mensagem: para o verdadeiro triunfo do bem sobre o mal, a esperança precisa ser QUERIDA DE VOLTA para que tudo dê certo. Vamos recapitular:
1 – Crie o símbolo e faça com que se precise dele;
2 – Destrua o símbolo, tendo como base as próprias crenças, desejos e esperanças de quem aceitou o símbolo;
3 – Faça com que o símbolo sinta na pele o que seu algoz sentiu para ser criado. Assim ele estará completo e entenderá sua existência (na dúvida, assista CORPO FECHADO,do Shyamalan);
4 – Devolva o símbolo, mas desta vez sob o controle de todos, não algo inatingível;
5 – Desapareça com o símbolo, fazendo com que todos o desejem de volta, como a tal da “luz no fim do túnel”.
Fica fácil entender onde os críticos se perderam no filme: eles só se ativeram ao VISUAL da obra. Claro que, ficar comparando TDKR com segundo filme não ajudou em nada.
Achar que têm o direito de comparar os talentos dos atores Heath Ledger, com seu desempenho magistral do Joker, com Tom Hardy (que foi uma das melhores atuações do filme, o cara manja MUITO de máscaras. Estudem TEATRO, senhores críticos, antes de acusá-lo de canastrão!) é uma injustiça. Ledger foi o melhor Joker que precisávamos e Hardy, o melhor Bane. Um representa a insanidade, enquanto o outro representa a clareza trazida pela dor e pelo medo da perda, sacaram?
Criticar um filme pelo simples prazer de se ter mais visitas em um site não é algo digno de um ser humano. Isso é algo que o Joker faria, mas os motivos dele seriam mais nobres. Ele é um agente do caos, o proverbial palhaço que quer ver o circo pegar fogo. Criticar a atuação dos atores é algo FÁCIL, as vovós fariam isso. E olha que elas têm muito mais experiência por causa das novelas do dia a dia. Mas, que tal tentar criticar a MENSAGEM do filme? Aí fica mais difícil, certo?
E se bobear, são as mesmas pessoas que ODIARAM na trilogia Matrix a parte em que o ARQUITETO aparece e explica os pormenores para o NEO. Podem dizer que não entenderam, não é vergonha alguma. Titio Salazar pode explicar para vocês.
Só peço que, num futuro próximo, tentem criticar os filmes do jeito certo, não façam como todo mundo faz só porque todo mundo faz. Não que valha alguma coisa para vocês, mas eu espero mais da “fatia mais inteligente” da internet. Nosso país precisa de suas inteligências, percebam que estamos morando em uma cultura onde a notícia campeã de audiência é uma traição que envolve atores de filme MELOSO DE VAMPIROS QUE BRILHAM. Por favor, ajudem a mudar esse quadro.
Vida longa, próspera e acreditem nos símbolos.
|
|







Se os críticos tivessem lido “O Heróis de Mil Faces” e só o verbete “Máscaras” do Dicionário de Símbolos Jean Chevalier, teraim falado menos merda e teria apreciado melhor o filme
Amei o filme e quem não gostou… Não era DIGNO!
Salazar, bela análise! Mas vou te dar um puxão de orelha! se você não viu nenhum crítico falando sobre os temas e a força do símbolo na trilogia do Nolan sobre o Morcego, tá acompanhando os criticos errados
Dá uma olhadinha: http://www.cinealerta.com.br/2012/07/29/critica-batman-o-cavaleiro-das-trevas-ressurge/ e http://www.cinealerta.com.br/2012/07/26/o-basico-do-cinema-video-essay-o-poder-do-simbolo-na-trilogia-o-cavaleiro-das-trevas/. E se gostar, tem esse também http://www.cinealerta.com.br/2012/07/12/especial-batman-o-basico-do-cinema-as-rimas-visuais-da-trilogia-do-cavaleiro-das-trevas/ E mesmo assim ainda há muito pra se discutir sobre essa série. E tem gente q acha q a grande discussão do filme é se o Alfred estava delirando no fim… tá complicado viu… Grande abraço!
Pode puxa a orelha sim!
Awesome cara! Eu adoraria falar a real moral da história no filme do TDKR, mas seria spoiler…
A grande mensagem que TDK nos deixou foi: “Ao caçar monstros você precisa ter
certeza de não se tornar um montro também”. Isso aconteceu com Harvey Dent(HD).
Imacularam o HD e ocultaram a verdade com a desculpa de que as vezes a verdade não é boa o suficiente e que se deve criar uma mentira por um bem maior(Inspirar as pessoas a fazer o bem do jeito certo) já que o Batman tenta fazer a coisa certa do jeito “errado”.
Na minha visão a principal mensagem deixada por TDKR é que esperança e inspiração não devem ser herdadas de forma falsa. Pois a verdade pode vir a tona mais cedo ou mais tarde e as consequências podem ser catastróficas.
“Criticar um filme pelo simples prazer de se ter mais visitas em um site não é algo digno de um ser humano”.
Então amigo, na frase acima cometeu um pequeno error…. é algo digno de ser humano, mas não é Inteligente.
Gostei muito do seu post….. aliás que linguagem sensibilizada!!!
Não vou colocar spoiler, afinal, pode ser que alguém ainda não tenha assistido ao filme.
Curto e grosso, gostei muito.
Não tenho nenhuma queixa ou ressalva a fazer, ótimo elenco (fiquei surpreso com a Hataway), direção, fotografia, cenografia e sobretudo ROTEIRO, algo tremendamente em falta nos dias atuais. E por fim, mas não menos importante, Walt Disney citava a décadas, um filme será tanto melhor quanto pior (mais malvado) for o vilão.